sábado, 15 de novembro de 2008

The Beatles - White Album (1968)




Os Beatles começavam a acabar. O mundo já era bem diferente de 1962 em 1968. Pareciam séculos de distância entra o início em Liverpool e a Swingin’ London. John Lennon e Paul McCartney não compunham juntos e George Harrison reclamava mais espaço no grupo. Em meio às turbulências, lançaram um dos mais importantes discos de todos os tempos.

No início de 1968, os Beatles amargavam um período de decadência quase inédito em sua carreira. Magical Mystery Tour, o filme que pretendia mostrar o quarteto numa viagem literal e química pelo interior da Inglaterra, havia sido um retumbante fracasso de bilheteria. A trilha sonora era sem graça, apesar de conter alguns singles marcantes como “The Fool On The Hill” e “I Am The Walrus”, e encalhou nas prateleiras do mundo.


Para completar o cenário de caos, Lennon e McCartney, opostos pelo vértice, já não conseguiam suportar um ao outro quando no estúdio. Algumas atitudes constantes de Yoko Ono, recém-casada com ele, incomodava a todos os integrantes, mais especialmente Paul, um gênio musical, mas antes de tudo, um eficaz executivo.


A decisão de voltar aos estúdios veio de George Martin, o quinto beatle e produtor de todos os discos do quarteto até então. Paul também concordava que uma volta à rotina de gravações seria benéfica para todos. Novamente no estúdio de Abbey Road, os Beatles iniciaram as sessões do novo disco no meio de 1968.


Longe da experimentação mostrada em Sgt. Peppers, tentavam um retorno ao rock mais básico, quase estilizado. Talvez por isso o disco tenha sido batizado simplesmente de The Beatles e tenha ganha uma capa absolutamente em branco, o motivo pelo qual ganhou o apelido de White Album. Além disso, os Beatles voltavam de sua famigerada viagem à Índia, onde conheceram o guru Maharishi e precisavam dar uma espécie de “atestado de vida” para continuarem merecedores do crédito de que dispunham.

Quatro lados num disco duplo, no qual os fab four se apresentavam não como fonte inspiradora mas, talvez pela primeira vez, como participantes de uma cena musical, no caso, o rock. Não era possível ignorar a existência de artistas como Jimi Hendrix, Doors, Yardbirds, Led Zeppelin, Pink Floyd, Rolling Stones, entre outros, e que eles também estavam modificando atitudes e definindo padrões para a juventude pensante do mundo.


Tempo de revelações, Primavera de Praga, revoltas em Paris, John Lennon compôs “Revolution” como forma de mostrar como uma palavra tão usada na época poderia ser interpretada de maneiras diferentes. John seria responsável ainda por canções como “Julia”, uma singela balada de violão e voz cantada em homenagem a sua mãe, fonte inspiradora do nome de seu filho Julian, além do surrealismo de “Glass Onions”, onde ele faz uma maravilhosa e inédita crítica aos... Beatles.


Alguns afirmam que o “Álbum Branco” é quase que um primeiro disco solo de Lennon, tamanha sua participação em termos de discurso e composições. Comparando as músicas acima e mais “Yer Blues” ou “Happiness Is A Warm Gun”, com algumas das composições de Paul McCartney no mesmo disco, como “Ob-la-di, Ob-la-Da” ou “I Will”, esta afirmativa pode até ser válida, entretanto, uma audição mais cuidadosa mostra grandes e sutis composições de Paul, como “Helter Skelter”, “Blackbird”, “Rocky Racoon” e “Back In The USSR”, que equiparam a disputa, na qual ainda corria por fora um inspiradíssimo George Harrison e sua clássica “While My Guitar Gently Weeps”, com participação de Eric Clapton, marcando o início de uma longa parceria entre os dois.

Depois ainda tiveram folêgo de fazer obras-primas como Abbey Road e Let It Be. Mas como todos sabem o sonho acabou á 38 anos atrás, quase 40.

The Beatles (White Album) (1968)

Disco: 1

01. "Back in the U.S.S.R." 2:43
02. "Dear Prudence" 3:56
03. "Glass Onion" 2:17
04. "Ob-La-Di, Ob-La-Da" 3:08
05. "Wild Honey Pie" 0:52
06. "The Continuing Story of Bungalow Bill" 3:14
07. "While My Guitar Gently Weeps" (Harrison) 4:45
08. "Happiness Is a Warm Gun" 2:43

Disco: 2

01. Birthday
02. Yer Blues
03. Mother Nature's Son
04. Everybody's Got Something To Hide Except Me And My Monkey
05. Sexy Sadie
06. Helter Skelter
07. Long, Long, Long
08. Revolution 1
09. Honey Pie
10. Savoy Truffle
11. Cry Baby Cry
12. Revolution 9
13. Good Night

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Fonte da Matéria : Por Carlos Eduardo Lima, 2 de Maio de 2007. Rockpress.

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